quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Quero "Ser Grande"




Quando eu era criança tinha muita pressa em "ser grande". Eu sempre fui muito amadurecida, era adiantada na escola, lia jornal com meu avô e debatia com os adultos. Minha pressa era vontade de ser livre. Era vontade de alcançar aquela liberdade que um adulto tem para se explicar, se defender, não se calar.

Cresci e nem me dei conta.

Passei a ter lembranças da minha infância ao sentir cheiro de lápis de cor e naftalina, ao comer bolinho de chuva e ao ir na casa de alguém que tivesse o chão de "vermelhão". Descobri que aquela tal liberdade que eu contava os minutos para ter, não significava poder falar o que desse na telha, nem me levantar e ir embora quando tivesse vontade. Isso não é liberdade, é natural de quem já sabe se cuidar sozinho. Percebi que "ser grande" dá saudade. Que quando a gente cresce precisa fazer escolhas.

Descobri que tinha crescido quando rasguei cartas que não via motivos para estarem em minhas gavetas, quando entendi que é humano assumir contradições, quando tenho crises no meu travesseiro. Entendi que cresci, quando o orgulho pra mim deixou de ser sinônimo de personalidade mas sim de arrogância. Cresci quando passei a assumir erros e a rir deles. A gente cresce quando desculpa, quando passa por cima, quando SE perdoa.

Crescer não nos dá direitos nem nos cobre de razões. A gente cresce pra baixar a bola. A gente cresce pra deixar passar alguns pingos fora dos "is", pra chegar mais pro canto e deixar o outro sentar; pra dividir, relevar. A gente descobre que cresceu quando aprende a oferecer um abraço em vez de guerra, como se hoje fosse o último dia, como se não houvesse mais tempo.

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