domingo, 10 de janeiro de 2016

Daniela corria na praia todas as manhãs..



Daniela corria na praia todas as manhãs independentemente do estado do tempo (...)
Naquela manhã de Setembro parou de correr e contemplou o vulto ao longe. Aquele corpo...aquele andar...sentiu o coração acelerar e a cabeça ondear.
Que Emília Pedreirocoisa! Alexander, pensou. Aquele homem parecia-lhe a encarnação de Alexander seu amor maior de há tantos e tantos anos.
Emília PedreiroMas era de todo impossível. Ele há muito que se fora deste mundo, deixando Daniela de rastos.
Agora queria andar, mas os pés recusavam-se a obedecer.
Estava literalmente presa ao chão...e ao passado.
Respirou fundo, olhou um barco de pesca que passava.
O Coração serenou.
Como podia afastar aquela sensação? como?
alguém muito parecido com Alexander dizia-lhe o bom senso numa forma de a sossegar.
Mas...havia ali algo que a transcendia.
Começou a andar devagar ao longo da linha da água. O pensamento turvo, confuso.
Aproximou-se do homem que olhava o horizonte com olhar sonhador.
O coração estremeceu. 
-Alexander?
Ao som da voz murmurada de Daniela o homem esboçou um sorriso antigo e doce e afastou-se na neblina.

Daniela pegou água do mar na concha de suas mãos e molhou o rosto .
Uma lágrima rolou.
Depois retomou a corrida numa luta contra a saudade.

Emília Pedreiro..

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