De repente eu me vi e vi o mundo.
E entendi: o mundo é sempre dos outros. Nunca meu.
Sou o pária dos ricos. Os pobres de alma nada armazenam.
A vertigem que se tem quando num súbito relâmpago-trovoada se vê o clarão do não entender. EU NÃO ENTENDO! Por medo da loucura, renunciei à verdade. Minhas ideias são inventadas. Eu não me responsabilizo por elas.
O mais engraçado é que nunca aprendi a viver. Eu não sei nada. Só sei ir vivendo. Como o meu cachorro. Eu tenho medo do óptimo e do superlativo. Quando começa a ficar muito bom eu ou desconfio ou dou um passo para trás. Se eu desse um passo para a frente seria enfocada pelo amarelado de esplendor que quase cega.

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