
Senti-me como se o mundo inteiro fosse pequeno demais para todo amor que eu quero. Era como se eu voasse em um sentimento que não tinha nada além de um sorriso bobo e nenhum motivo especial. Deus estava me mostrando que o amor é tão simples quanto a vida. Então eu decidi que seria paciente e me esforçaria de verdade para ser inteira, para ser feliz sozinha.
Filmes de amor não me deprimiam mais, eu já tinha dito, e estava repetindo, pois eu queria que aquela verdade durasse e fosse eterna. Acho que finalmente eu tinha entendido o que era ser feliz. A felicidade está em não se magoar com a alegria de outros, afinal, tudo tem seu tempo. O amor tem que ser único, um sentimento que nunca será esquecido, e não um sentimento invejoso e nojento. Ao ver que a vida me traria muita coisa boa, percebi que não deveria me preocupar em ser feliz, não deveria anotar “ser feliz” numa lista como se fosse algo que eu pudesse comprar, ou uma obrigação.
Meu coração batia como se eu estivesse numa montanha, não uma russa, porque elas têm altos e baixos, mas só uma montanha que subia, subia, subia... E nunca tinha um momento ruim. Senti-me imbatível, destemida, leve como uma pétala de rosa voando ao sabor do vento. A vida tem de ser mais do que só quatro letras formando uma palavra num dicionário jogado no fundo de uma gaveta que não abre. Eu quis que todas as pessoas que conhecia descobrissem aquele sentimento de plenitude, mas ali ainda temi opiniões alheias, afinal, elas ainda me afetavam. Não como antes, mas ainda tinham um minúsculo poder. Aquele momento era só meu, não pude evitar. Senti-me egoísta por não dividir, mas não era a hora certa, ainda não.

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