
Ele queria-a tanto que na impossibilidade cruel que a realidade lhe impunha, não encontrava fuga e então amava-a cheio de dor e raiva. E não contente, lhe jurava que não a queria e a semeava de toda a mágoa e revolta. Era a triste forma que achava para se libertar daquele amor, fazendo-a afastar-se, na esperança de que o desprezo o engolisse.
Que o amor o deixasse, o libertasse e da verdade nascesse uma mentira que terminasse com ele, com ela, com tudo o que o impedia de a ter, amando-a mais do que à vida.
Pensá-la com outro, enlouquecia-o. Enregelava-o e fazia-o sentir coisas que nem adivinhara que existiam a percorrer as veias onde ela lhe corria. Deixava de racionalizar, de ser humano,...proferia palavras à toa, como se após a catarse, descesse sobre ele a paz e acordasse com ela nos seus braços.
Era um rapaz perdido no deserto. Tentava de todos os modos, encetar a travessia do esquecimento, porém o deserto era demasiado pequeno para matar aquele sentir que lhe enchia o peito.
Nada nem ninguém podia libertá-lo daquele amor que, quanto mais ele negava mais crescia, não por artes mágicas, mas pela lei natural da vida.
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Um homem que afirma ter uma mente sã, é precisamente aquele que mantém a sua loucura fechada a sete chaves.
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