
Estava aqui firmando novos compromissos comigo - pra mim é janeiro o ano inteiro. Estou prometendo não acreditar mais em conversinhas repetidas, que vou maneirar no incenso e no café. Vou tentar falar mais baixo, imitar aquela voz de enxaqueca, ser menos emoção. Falando em emoção, queria sentir menos. Bem menos. Alguém sabe onde desliga? Quanto mais velha fico, mais sinto, e não posso evitar isso.
Estou de parabéns! Há meses comecei um trabalho interno: prometi ao menos tentar deixar o mundo passar batido pela janela da vida e nem ousar entortar o pescoço para ver o que havia perdido. Deu certo. Entre mortos e feridos, estou leve. Sem culpa, mágoas ou chances. Não pensei que pudesse tanto. Na verdade, pensei, mas sabe aquela velha mania de bater na mesma tecla? Então.
Agora estou me prometendo mais coragem. Na verdade, estou precisando é de muita coragem. Preciso de coragem pra ouvir (e entender) o mundo gritando meu nome. Ficar me fingindo de morta não está mais colando. Não está dando pra ignorar mais isso. Estou naquela vibe de cortar o cabelo na orelha há séculos, e emperrei. Também tem algumas tatuagens martelando aqui dentro. Tenho flertado tanto com minha mochila, sonhado alto ouvindo 93 Million Miles.
Sinto muito ter que ouvir meu nome na boca da vida e não poder responder (não agora). Sinto muito não poder ouvir meu coração sempre, afinal, ele é meio burro. Sinto muito em tentar carregar o mundo nos braços, em sonhar tanto, se tenho tão pouco tempo. Queria sentir menos, falar mais baixo, pegar essa merda de mochila e ir. Queria não tentar mudar nada, deixar o mundo pra lá, afinal, não vou ser a última a sair. Queria acreditar no que acabei de dizer, mas não acredito; não sei parar de sentir.
Sinto muito, mas sou assim. Não sei ser nada menos que isso.
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