domingo, 10 de janeiro de 2016

No vazio da alma..



No vazio da alma que não vence o ruído da mente e o bater do coração, há uma busca de mim do que sinto, do que não quero, daquilo que me assalta o sentir, de tudo o que foi e nunca mais será, das coisas que vejo de olhos fechados, dos sítios onde me perco por dentro de mim...
Vai-se o barulho das emoções, os turbilhões da sensações e fica o desassossego que não passa, que se solta em uivos ferozes e tempestades que engolem o que somos e nos deixam órfãos, entregues às intempéries dos desertos, das escarpas agrestes, dos desfiladeiros onde sucumbimos a sós.
Porque não sei se te quero mais. Foste e tive de sobreviver à tua ausência, às tuas palavras cortantes, aos teus silêncios ultrajantes, onde morri em estilhaços que se espalharam no espaço. São agora estrelas errantes num céu onde fui subindo antes do exacto momento. Aprendi a saber morrer dia após dia. Escondi a dor de viver de mim própria, até sufocar. Calei o sangue que gelava nas veias, sozinha sem voz, calada à força de esconder quem se é, por vergonha de amar, por rejeição de quem amei, por ser pecado amar só por amar, quando o amor deve ser vida e redenção.
Hoje, perdida de quem fui. Após atravessar desertos e escalar as barreiras inatingíveis, ser heroína silenciosa, ter o trunfo de um tesouro escondido, o de ter sobrevivido, às escuras, longe do mundo...vieste. Instalaste-te em mim, sem pedir autorização, com o à vontade do dono do império que o seu poder impinge aos escravos, seus inferiores. Continuas a humilhar-me com as mesmas palavras e calando as do amor, sempre. Não sei que queres. E tenho medo! Sei que devo tê-lo...pergunto ao vento que tanto cala na sua eterna sabedoria, primo do tempo e da maresia, e ele nada me diz, claramente. Mente? Não. Lamenta-me.
Ó Céu que nos proteges, de ti vem a luz, a noite e a chuva. Em ti habitam as estrelas e as belezas desconhecidas do universo infinito. Tem misericórdia de mim. Deixa que a voz de Deus te atravesse e me indique o que fazer...que a Sua mão se estenda sobre a minha cabeça e me enalteça, me perdoe, me faça reencontrar dentro e fora de mim. Que retire para longe este medo que me consome. Quero voltar a ser a guerreira, quero as minhas asas de volta e que a minha paz não me abandone nunca neste barco em que deambulo à deriva por um naco de não sei quê, de amor não será, eu sei.
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