segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

ELE JÁ SABIA:

Hoje, enquanto eu esperava o sinal abrir, um moço que aparentava uns vinte e cinco anos no máximo, fazia arte em meio à luz vermelha. Quase ninguém o percebeu. O desespero que o fechar e abrir do sinal impõe sentir, nos impede, muitas vezes, de observar o que acontece ao nosso redor. Não é algo corriqueiro; eu até gostaria de dizer que foi, mas não. Nossa desatenção para com  as coisas que têm, de fato, valor crescem ao passo em que perdemos a singular arte da vida achando que estamos ganhando tempo...
Quase ninguém o percebeu, mas eu sim, eu o notei. Aliás, foi mais do que isso. Eu o senti.  Ele brincava, com toda intimidade, com malabares. Eu sempre quis aprender coisas assim. Acho fascinante. Eu, particularmente, tenho uma certa admiração exagerada pela magnitude da natureza. Olho minha mãos, sua simetria perfeita, comparo à força de uma árvore em meio ao Sertão seco e doído, comparo a um pássaro que migra do norte ao sul de forma perfeita, com a chuva que nunca erra o curso e, cada vez mais, me apaixono pelo Criador, por tamanho ser o Seu poder. Eu, particularmente, acho algo maravilhoso! 
Esperei aproximadamente um minuto e meio até o sinal abrir e eu o observava. Em seu rosto havia um expressão de calma, paz, apesar da alta periculosidade com a qual ele estava proposto a enfrentar. Eu me desliguei do mundo por um momento e me encantei com a leveza dos detalhes no passar dos malabares pelas mãos e pernas daquele moço.
Senti uma vontade imensa de aplaudi-lo. Tive vergonha. Quis ir até ele e abraçá-lo. Provavelmente, eu seria chamada de louca. Ele esperava alguns trocados. Nem isso consegui fazer, pois eu estava distante dele.
O sinal abriu e eu pensei em como algo tão simples havia me marcado. Aquele moço que eu mal me lembro a feição, não faço ideia do nome, me arrancou um sorriso de um dia tão pesado, de sentimentos tão confusos. Eu não consegui entregá-lo nenhum centavo sequer, mas ele, sem ao menos saber, se tornou importante pra mim (tanto que aqui estou escrevendo sobre ele).
Eu não tenho noção de qual sentimento ou motivo o movia a fazê-lo ir parar no sinal e se apresentar, mas de alguma forma, eu preciso agradecer ao Pai pelo curso perfeito de todas as coisas que, no final, sempre dão certo. Como um sorriso incerto que me foi concebido por um desconhecido. Desconhecido pra mim, mas jamais para Ele. Jamais.
Fazia parte do plano. Meu acaso, na verdade, foi arquitetado perfeitamente por Ele.  Eu não conheço o curso do mar ao qual navego, mas eu sei em Quem estou ancorada. Se eu bem me recordo do texto de um amigo que li hoje mais cedo, em sua essência havia um versículo que explicita minhas palavras: “E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele.” (1 Colossenses 1:17)
Deus não tem plano B. O Seu plano inicial sempre prevalecerá porque Ele é o único que importa. Não há surpresas para Aquele que é a voz definitiva no universo.
Fazia parte do plano dEle, é simples assim. O nosso socorro é sempre perfeito. E eu, eu confio. Eu creio.

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