PALAVRA, PENSAMENTO, SENTIMENTO_
Toda vez que ela queria dizer o que sentia o que saía de sua boca era outra coisa.
Quando amava, ela media, pesava e calculva as palavras e mesmo quando ela dizia exatamente o que tinha planejado dizer, parecia que era outra coisa que ela queria ter dto. E por isso ela falava tanto. Tagarelava, de novo e mais uma vez, tentanto fazer com que palavra, pensamento e sentimento se equivalessem. Mas alguma coisa sempre escapulia, a fazendo ter a sensação de que o que dizia não era verdadeiro, mesmo quando era.
Quando o amor a excedia, a fazendo odiar, então não conseguia pesar, calcular e nem medir o que dizer. As palavras simplesmente arrombavam primeiro os seus lábios e depois também os ouvidos do outro, num tom estridente que ela sequer reconhecia como sendo a sua própria vez, causando fúria. E embora ela não controlasse o percurso que as palavras faziam em seu corpo, ou talvez justamente por isso, sentia que verdades lhe chacoalhavam. E disso ela gostava.
Por isso ela queria alcançar a palavra amorosa com a verdade do ódio. Então, na tentativa de unir o amor e o ódio (como se fossem coisas muito diferentes!) ela acabava oscilando de humor numa velocidade ímpar. Ela e quem fosse o seu par amado/odiado iam do céu a inferno num tempo que era tão inexplícável que não dava pra mensurar cronologicamente.
Um dia a moça conseguiu alcançar uma palavra de verdade que se encaixou certinho com o sentimento de verdade e também com o pensamento de verdade. E desde então ela não fala mais.

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