quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Da vida dura___

Da vida dura _
==========

Cansado, pés apertados pelo sapato. A calça apertada, havia ganhado alguns quilos nos últimos meses. A gravata atochada ao pescoço. E o calor exorbitante do dia fez a fadiga aumentar. Entre o trabalho e a casa, setenta e cinco minutos em pé dentro do coletivo, respirava com certa dificuldade. Além desse todo desconforto, aperto no corredor, mochiladas e música alta.

Perdi tempo demais correndo atrás de algo que não existia. Esqueça o passo largo que dei. A vida é complicada. O mundo está complicado. “Vem cá meu bem, que é bom te ver...”
O ônibus chega ao bairro. Ele desce no primeiro ponto. A gravata afrouxada. Do ponto a casa, três quilômetros de subida. A meia social deixa o sapato mais duro. A mochila cada vez mais pesada. No calcamento de pedras, a caminhada torna-se mais tortuosa. De quinhentos em quinhentos metros, da uma parada, passa a mão na testa, limpa o suor que aflora. Coloca as mãos na escadeira. Sofre.
O último poema escrito, foi feito sob a luz do seu sorriso. Enquanto você sorria, eu o escrevia em seu corpo. Talhava o que de melhor podia ter ali. Naquela hora. Os dedos entrelaçados. Nossos corpos abertos. “Nesse navegar, tudo é impreciso e é incerto, e tem juros altos demais...”
A porta da casa trancada. Ele abre, entra pra sala. Retira os sapatos. As meias. Deixa a mochila sob a mesa. Caminha até ao banheiro. Abre a ducha. Relaxa. Ela chega. Abre a porta. De corpo e alma, se entrega.
A vida é dura, mas ela, só faz melhorar..

Nenhum comentário:

Postar um comentário