domingo, 6 de dezembro de 2015

Á barba de três dias :


Á barba de três dias :

Eu gostaria de homenagear, rapidamente, a barba masculina de três dias. Pouquíssimos artifícios deixam um homem tão másculo quanto os pequenos pelos cultivados desde anteontem, quando pela última vez passou creme de barbear, lâmina e exibiu a lisura de maxilar e bochechas ao mundo. Pouquíssimos. São raras as artimanhas capazes de enlouquecer mulheres ao ponto de causar atritos entre amigas e discórdias familiares. A barba de alguns dias – e que os pais, ao abraçarem o rapaz, desejam após o ato fraternal que seja retirada o quanto antes, pois machuca – é que é o supra sumo, a cereja do bolo, o toque final do encanto de um cara (ao menos pra mim).

Pode até mesmo ser de dois, mas a barba de três dias é o ponto favorável quando a beleza não é óbvia; é a chave de cadeia a que muitas se prendem, fugitivas da pele de bebê embebida em loção cheirosinha que causa arrepio nenhum onde começa a nuca. É o fator essencial que escala pra um mesmo time santinhos apadrinhados e gloriosos homens ogros, nerds da informática e personal trainners da academia. Somente essas frágeis defesas externas do corpo humano para embelezar o que já é de natureza e caracterizar como sedutor o lado rústico dos que não a provém. Está para as mulheres como representa a marquinha de biquíni na visão masculina: ao olhar, buscam os homens nas mais submersas de suas fantasias cair pra dentro daquelas vestimentas de pele um tom mais claro que a melanina do bronze. Para as mulheres, tocar é sentir; sobretudo, passar as unhas de leve pelos toquinhos de cabelo recém nascidos é arrebatador - ainda mais, quando passeiam pelo nosso pescoço, nu, e cosqueiam de leve.

É pela barba de alguns dias que a gente se vê de manhã abraçando apertado e suplicando ao ouvido que não tirem, por favor – é sempre melhor com cara de marginal, entendam mocinhos. É perder um pouco a identidade do lobo da noite passada acordar de pijama e vestida ainda com sono e desencontrar vestígios da safadeza de horas atrás: quem são vocês quando se despem do papel de machos com pelos no rosto dessa humanidade?

Três ou quatro dias, porém, é o limite: que se não, não roça mais com a mesma funcionalidade. Um pouco do feeling de rapaz das cavernas se esvai pela pia ou pelo ralo toda vez que sucumbem à decisão de vocês de nos beijar feito os coleguinhas teenagers de quando tínhamos 13 ou 14 anos. Outro pouco vai se indo junto enquanto passa o limite possível de a barba continuar bela e valorosa, safada e ridiculamente afrodisíaca. Pode ser gosto pessoal, mas cada vez mais, noto ser preferência feminina: a atitude que se encontra em falta em muitos de vocês, buscamos talvez no adjetivo de quem deixa florescer e respirar um tantinho do DNA em pleno rosto. Algumas clamam: faça amor, não faça a barba! Eu faço parte da mesmo torcida, porém, meu amor se intensifica é no período datado entre amanhã ou depois, quando chega o período de se arranhar ombros e esfolar ombros e deixar perder o juízo.
Camila Paier

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