Sabe, até que é um bom plano. Só tem um probleminha: Eu não namoro. O risco é muito alto, você sabe. Não é em todo café de esquina que a gente encontra uma boa química. É no físico, contato. E até que estávamos indo bem. Açucarar o que tínhamos só iria estragar tudo.
Mas você tem todo o direito, de querer fazer tudo direito. Se aparecesse na mesa da frente a uns dois, três anos atrás, eu teria puxado a carteira pra me sentar e ouvir sua história, e não pra pagar o café e te convidar pra ir em casa.
Os convites são mais fáceis de se aceitar que os pedidos. E também de se recusar. Naquele dia, foi quase utopia. Os dois queriam a mesma coisa. Mas agora você quer mais, algo que não posso dar. Tudo o que requer compromisso é construído com os melhores materiais pra resistir, pra suportar, pra durar. Mas o terreno continua instável, e se tratando do meu caso, infértil. E ando tão envolvido comigo mesma que não consigo deixar de pensar na traição que seria me envolver com outra pessoa sem querer ficar. Egoísmo? Não acho.
Penso que somente quem é fiel a si e aos seus princípios está apto a ser fiel a mais alguém. Contudo, os meus princípios não estão favorecendo a ninguém. Sigo o curso, sem saber se é perene ou intermitente, mas ciente da direção pra onde quero correr. Se porventura um dia eu desaguar no mar de alguém, será pra acrescentar. E não contaminar.
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