Evito-te, de vem em quando é inevitável e lá nos cruzamos. Já não paro. Te olho {repara que já não te vejo: só olho}, cumprimento de forma educada. Abres um sorriso, aquele sorriso. Aquele que acredito que é só meu. Eu já nem tenho expressão facial, se sorrir escancaro a porta de novo e você entra. E se há uns anos entraste e te aninhaste, nos últimos tempos que o fizeste, sentaste no sofá da minha alma e esticaste os pés em cima da mesa. Passamos um pelo o outro e ainda fazemos uma barulheira, mas já só nós ouvimos, não o partilhamos. Ignoramos e arrepiamos caminho. Cada um segue o seu caminho. Já não há cafés, não há partilha, não há mensagens, não há conversas no parapeito da janela, não há post-it por todo o lado, não há entendimento, não há sorrisos cúmplices, disparates. Só há um barulho silencioso dos nossos corpos, que fomos forçados a calar. Permaneceremos, para sempre, na vida um do outro, mas em silêncio, porque acredito que este é o caminho.
Por Vinícius Souza –
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