Sobre o amor próprio...
Havia nele um romantismo latente que não se contentava em ficar apenas no plano das idéias, queria mais que sonhar, queria viver, por na prática, mas para onde quer que olhasse, não conseguia enxergar alguém que inspirasse a confiança necessária para que pudesse compartilhar aquilo que havia de mais precioso nele.
Pensou por um momento em guardar tudo aquilo para que um dia pudesse usar no momento certo, mas por mais inteligente que essa ideia parecesse não conseguiu se conter. E na ausência de outro alguém, passou a amar a si mesmo.
Foram noites inteiras, lendo histórias para si mesmo, fazendo planos, conhecendo lugares e assistindo os filmes que sempre adiava por falta de companhia. Até que um dia apareceu, não uma, mas várias pessoas que pareciam dignas de receber todo aquela atenção, porém ele estava tão obcecado por aquela nova paixão que não conseguia ver aquilo.
Estava sim, se amando por assim dizer, e não tinha vergonha de expor esse amor para o mundo que o julgava de narcisista e egocêntrico. Diziam em tom de deboche:
- Cuida hein, que qualquer hora o Narciso pode se afogar!
No que respondia taxativamente:
- Eu fui a única companhia que tive quando ninguém estava lá. Eu poderia ter me afogado de muitas outras formas, mas aprendi a nadar sozinho.
Até que um belo dia ele deu inicio a um relacionamento aberto, algo que antes jamais havia imaginado ser capaz de viver. Hoje todos vivem bem, ele, a pessoa que ele ama e o seu amor próprio.
Ninguém precisou se anular, para o outro existir.
Luan Emilio Faustino..
![]() |

Nenhum comentário:
Postar um comentário