De tornar-me quem sou...
Muitas vezes visito este outro ser que me habita para um encontro cara-a-cara. Este ser que sou eu, e de quem muitas vezes me afasto.
Ele me convida para um café enquanto jogamos conversa fora. E vamos nos entrosando assim, aos poucos, a cada dia que passa nos tornando mais íntimos.
Este outro ser que me habita, de quem muitas vezes me aproximo, e a quem outras vezes abandono, me fala de quem eu sou. Das minhas dores, dos meus medos, das minhas dúvidas. E me conta das minhas fugas, das minhas carências, dos meus tantos abandonos.
Nem sempre o que eu ouço me agrada, e sem saber como lidar, prefiro deixá-lo. Às vezes, mais compreensivo, me aconchega em seu colo, me pede calma e serenidade.
Ele me conta da criança desamparada. Da menina triste. Da moça solitária. E também da mulher, tumultuada e confusa, mas cheia de energia e vida.
Nesta visita a este outro ser que me habita, e somente lá, em mim mesma, encontro as respostas às minhas perguntas e a força para me lançar em minhas buscas.
Em meio a um pedaço de bolo com chá de hortelã.
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