Nem sempre a gente tem algo a dizer, nem sempre a gente quer se fazer escutar. Às vezes, só queremos proteger as nossas feridas, bater a porta contra quem quer que seja que insista em nos machucar. Nem sempre a gente quer ter razão das coisas, sair vitorioso, porque algumas disputas não valem de nada depois que se perde o motivo que nos movia a lutar. Às vezes, só queremos não mais ouvir, não mais olhar, preferimos perder a noção das coisas para não ter a noção de onde elas foram parar. Nem sempre a gente quer sair por cima, às vezes a gente queria até ser menor pro golpe não ser tão baixo, às vezes a gente só queria poder evitar. Eu tenho aprendido todo dia que nem sempre é suficiente ser bom pro outro, porque o outro só recebe aquilo que é capaz de carregar. Eu tenho aprendido todo dia que algumas pessoas são fracas demais pros nossos pacotes completos, elas só nos amam até onde conseguem nos filtrar. Eu tenho aprendido todo dia que nem todo amor é o bastante para nos proteger do risco, algumas pessoas vão preferir simplesmente não amar. E não há o que fazer. Às vezes a cama que a gente repousa se torna o mar dos nossos piores espinhos. A regra é se cobrir de curativos. E nadar. Mas a gente aprende. Aprende que nem sempre quer dizer que o sentimento nunca tenha existido, mas que isso não é suficiente para alguém que prefira tripudiar. A gente aprende que é preciso viver o fim, mesmo que o outro ainda viva a briga. Aprende a não discutir, a deixar o outro falar. Aprende que dizer adeus talvez seja a única coisa que nos salve. Que seguir em frente é melhor que se prender numa história que não vale a pena retrucar.
A gente aprende a quando parar, a gente aprende a pontuar a vida. É o mais triste papel do ser humano, parar o relógio das histórias que não devem mais continuar.
(Paulo Henrique Almeida)
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