terça-feira, 9 de agosto de 2016

Pode ser ela.

Pode ser ela. Pode ser a mulher com quem cruzas o olhar no autocarro a cada a manhã. Pode ser a mulher que, logo a seguir, por timidez talvez, se desvia dos caminhos desse olhar. Pode ser a mulher que anda pela rua a sorrir, se calhar por ter um novo sonho entre mãos. Pode ser a mulher sentada na esplanada, só ela e um café, a tal que te convida a arriscar e a sentares-te na cadeira ao lado. Pode ser a mulher que parece forte, por mais destroçada que esteja com as desilusões. Pode ser a mulher parada no semáforo, emparelhada com o teu carro, e a ouvir a tua música preferida. Pode ser ela, a tal que vai apaixonar-se perdidamente por cada um dos teus defeitos. Pode ser a mulher que vai obrigar-te a dar esse passo que não te atreves. Pode ser a mulher com quem fumas um cigarro a meias. Pode ser a mulher com quem fumas uma vida a meias. Pode ser a tinta que falta ao teu quadro. Pode ser a letra que enche a tua canção. Pode ser a rima do teu poema. Pode ser o último e definitivo conceito de arte. Pode ser a mulher. Pode ser ela.
Rui Miguel Mendonça

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