Você se diz o dono do circo. Fica às avessas e às escuras, não aparece quando fecha o cerco. Mantém as aparências mutáveis para não se complicar. Quer as coisas estáveis, mas tenta por um motivo explicar essa adoração ao caos. Quer explicar o vazio interno com uma tenda - ou escudo - sobre sua cabeça e implicar um personagem no seu próprio eu. Personagem que comanda sua vida e faz de você um mero espectador. Se diz encantador. Não seria aproveitador? Assustador? Para mim nemtanto. E nem é para tanto. É como um parasita habitando seu hospedeiro. Simples, rápido, sorrateiro.
Uma inteligência abstrata, aliada ao nada. Um completo buraco negro. Ou precipício. Vazio de forma, ameaçando pular da plataforma, escuta uma plateia calada aos risos. Com sua agulha, costura na pele da vida linhas tortas sem destino e sem feridas. Receita placebo ao paciente. Indica tédio aos espectadores. Se indica para a cura do mal, que de mal só tem você por aqui. Se auto injeta morfina impaciente, esperando que sua dose de tarja preta de inutilidade preencha o vazio que você próprio criou em volta de si. Não se engane, tome aqui seu nariz de palhaço e seu papel de otário. À mostra, fica seu ego inflado comandando esse teatro em seu mundo de marionetes.
A sua unidade é generalizada como plural aos olhos de todos os outros.
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