Você faz parte do meu cotidiano mesmo que não faça mais parte da minha vida e, acredite se quiser, tá tudo bem. Não me incomoda mais, aprendi a viver com uma parte de você como parte de mim, assim, numa boa. A vida é assim, tem gente que aparece pra nunca desaparecer. E não se trata de karma ou castigo sobrenatural, é apenas um fator constituinte da nossa existência, sabe? Desde que aceitei que existem coisas que fogem do nosso controle a dor quase não dói mais – quase. Mas, acontece que, no meio de um desses devaneios sobre eu e você, tentei imaginar como seria se ainda fosse nós dois e, por um momento, essa ideia me fez desejar nunca ter te conhecido. Quer dizer, você era tão inconstante, era como andar de mãos dadas em cima de uma corda todos os dias, todo o tempo. O medo de cair era constante, fora a dor nos pés e nas pernas, que viviam cansadas. Acho que no início a emoção de ter que tentar me equilibrar era fonte motivadora, sabe? Dava aquela emoção louca, aquela sensação de nunca saber o que iria acontecer no dia seguinte – ia cair ou continuar firme? Mas cansa, além dos pés e das pernas, o coração também pede arrego. Não dá. A vida passa rápido demais pra gente viver em cima de uma corda com receio de cada passo, pra viver concentrada e medindo cada suspiro de ar com medo de cair. Ter consciência disso tudo me dá mais certeza de que a vida permite certas coisas pra você entender sobre outras e, assim, trilhar o melhor caminho. Afinal, saber o que não quero pra mim e o que não me faz bem já é um grande passo pra selecionar melhor minhas escolhas, entende? Se eu não quero uma vida inteira cambaleando em cima de uma corda bamba eu passo a desviar das cordas. Um laço tem sido muito mais atrativo.
Teca Florencio.
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