domingo, 20 de novembro de 2016

Estou solteira, não desesperada...

Estou solteira, não desesperada.
Lembro de como você brincava de contar as minhas pintas, lembro de como ríamos cada vez que você perdia as contas e dizia: "as sardas do rosto não valem, nunca vou conseguir contá-las." Não vou mentir que lembro do carinho com que você me tocava, de como ficava irritado cada vez que precisava admitir que eu estava certa. Gosto das marcas que ficaram, porém, nada, na-da, me faz ter vontade de voltar para esses momentos. Eles são bonitos. Mas, passaram. A conta já está paga, você segue o caminho da sua casa e eu o da minha.
Eu não vou voltar para o meu passado porque eu sempre estive segura do que queria, e você só está cheio de certezas do que quer agora, eu não vou voltar só porque você está me oferecendo um lugar seguro, não vou voltar porque não sinto medo do meu imprevisível futuro. Não sei se amanhã vou atravessar a rua e trombar com a pessoa que vou desejar que fique e que vai ficar, a pessoa que vai me dar filhos e um pé de laranja no quintal, não sei se isso vai demorar mais seis, mais dez anos para acontecer. Não tenho mais medo de acordar no meio da noite, olhar para o lado e não ver ninguém. Há tanta coisa para fazer. Deixo fluir. Não cobro respostas da vida, se vier, tudo bem. Se não vier, tenho certeza que saberei me virar. Deito 'numa rede e admiro o céu sozinha. Estou solteira, não desesperada. Não tenho pressa, e para você ter ideia, no momento, não cabe mais ninguém na minha cama de casal. Estou bem comigo, tão bem como nunca pensei que ficaria um dia.
Então, se aos quinze anos eu sonhava que aos vinte e cinco seria mãe, hoje já passei dessa idade, e está tudo bem, não tem problema que a vida não aconteceu como imaginei um dia, sou a mesma moleca que gosta de andar descalça, que mancha a roupa comendo amora, só que com sonhos diferentes. Está tão gostoso, sabe?! Tenho pouquíssimas ambições na vida, e a maior delas agora é ser feliz com o que tenho. Você não faz ideia da calma com que essas palavras estão saindo de mim, Red Song tocando, eu sorrindo.
Os anos estão passando, eu sei, mas não vou me vender a amores baratos só porque acham que eu já deveria ter usado véu e grinalda. A vida é muito mais mais poética do que isso, e poesia a gente não abrevia, lê com calma, se delicia. Sou muito fã do amor, acredito muito nele para deixar que me digam que está tarde e que ele não vem mais. Mal sabem que ele já está aqui, que já o conheci, que chegou no dia em que me enxerguei e me aceitei de verdade, me preencheu inteira, ocupou todos os espaços vazios. É uma sensação maravilhosa. E basta.
Dani Santos.

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