domingo, 31 de julho de 2016

Ela precisava agora era de fugir,

Ela precisava agora era de fugir,. Atravessar um oceano de dúvidas e incertezas. Naufragar no mar do desconhecido, onde iria procurar uma razão para a sua insegurança.
Ela precisava de ter a ousadia de deixar para trás o seu território de segurança, para se aventurar na procura de novos desafios e novas emoções. Deixar tudo para trás. Renegar tudo o que, até então, a fez infeliz. Despertar para a vida e carregar a bolsa da saudade com as lembranças só das coisas boas do passado. Precisava de caminhar livre, na estrada da sua existência, somente contando consigo e com a sua esperança.
As suas lágrimas já não tinham som. Ela chorava sozinha e calada, no seu recanto. Onde não existiam horas, não havia nem presente, nem passado apenas um tempo que era recordado. Derramou as últimas gotas da sua tristeza. Deixou escorrer pelo rosto a saudade e a pureza dos seus pensamentos, que já não tinham voz.
Ela que se esquecera um dia que existia. Que havia um tempo que todos os dias corria ao seu lado, acrescentando dias, meses e anos à idade, sem que ela repare-se nesse pormenor.
Há muito tempo que se esquecia de viver. Encostara-se um dia as suas desilusões e aí ficara a ver o mundo rodar enquanto ela permanecia imóvel.

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