sexta-feira, 24 de junho de 2016

Das cicatrizes que guardo.


Das cicatrizes que guardo.
A beleza está nas marcas da vida e a tristeza nada mais é que um segundo de paralisia. O ar estagnado nos pulmões como se a morte fosse certeira e inevitável. Então o relógio corre sem o menor pudor, alguém olha sua tristeza e atravessa a rua como quem vê uma banalidade desconfortável. Então você rejuvenesce como uma peça que chegou ao próximo ato. Eu olho o céu, o redor me parece tão ínfimo, as nuvens me parecem tão bonitas que qualquer melancolia se envergonha de si mesma e morre. A vida é um teatro e mal cheguei ao terceiro ato. Sou rascunho de um teorema que não serve na prática, só cabe à mim conviver com os erros de estruturação. Ainda olho o céu como se não houvesse cicatrizes e trato de transparecer a preguiça em domingos ensolarados. Bailo os dedos no ar como se meus devaneios tivessem solução e meus momentos de utopias não fossem, também, de tristeza. E ainda que os olhos sejam tristes, os dedos continuam a dança junto à natureza. Aprendi a manter os olhos abertos debaixo d’água só pela poesia que a cena traz. A beleza é tropeçar na realidade todos os dias e ainda ter ousadia suficiente para sonhar.



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