terça-feira, 24 de maio de 2016



Delírios, flores insanas.
Todos correm para os pequenos abrigos, pontos de ônibus, marquises e comércios. Eu ando pela chuva, vendo o corpo das gotas deslizando pelo meu corpo, carrego uma ausência de pensamentos e roupas encharcadas. Faz frio, minhas mãos estão frias, meu sapato de camurça marrom está enrugado como dedos que provam a velhice antes do tempo. Quero manter as palmas das minhas mãos completamente secas, elas são território sagrado onde às gotas suicidas não podem entrar, minhas mãos devem conservar algum calor da mesma maneira que o pequeno baú de carne que mora dentro do meu peito conserva um fio de esperança. 
Caminho pela chuva de maneira calma, talvez seja apenas um desejo secreto, uma vontade de estar em um afogamento e sentir aquele impulso que me direciona a continuidade da vida, me conduz para os dias que ainda estão atrás da cortina do amanhã, tomo chuva e me afogo lentamente, me permito, mas irei chegar à superfície e ver tudo com os olhos que viram a morte, a vida quer ser olhada pelos olhos que viram a morte.

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