segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Tempo das cruzadas

Se a dor te constrange o coração,
abre-te à possibilidade da consolação.
Tudo o que se quebra pode ser consertado,
mesmo que exiba a marca de colado.
Construíste ao teu redor uma armadura
com o fim de proteger uma alma tão pura,
mas tiveste que enxergar não ser ela suficiente
para te manter inatingível eternamente.
Mesmo armaduras de ferro devem ser despidas
e então revelam o conteúdo existente:
por vezes denso e forte,  por vezes delicado e frágil.

Hoje te sentes atingida no teu ponto mais sensível
e tens dificuldade em te entregar, admitir que sofres.
Permite a ti sentir, admite que o sentido
é a expressão do que te vai no coração:
nada existe que não possa ser curado,
nada existe que não possa ser consertado.
É necessário, entretanto, que seja admitido,
pois o que fica no interior, escondido,
não permite que possa ser sequer olhado.

Admite, primeiro, a ti mesma a dor que sentes,
permite que ela se manifeste em toda a sua plenitude,
mesmo que penses não ser capaz de aguentar,
ou pior, que a negues, dizendo a ti mesma
que não tens motivo para chorar.

És guerreira, filha, mas o tempo das cruzadas já passou,
já não tens mais armaduras de ferro a teu redor.
Não cries armaduras de dor, é pior!
Ao admitir que és frágil e que precisas de ajuda
vários passos terás caminhado em direção à cura.
Entretanto, cabe a ti começar a ti mesma ajudar,
dando o primeiro passo em direção
aos que querem te apoiar.
 

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